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Humorista Bruno Mazzeo se retrata com o Goytacaz
O humorista Bruno Mazzeo se surpreendeu com a força da torcida do Goytacaz e resolveu se retratar em sua coluna de hoje no Jornal O Globo e também na internet.
Leiam abaixo a excelente coluna do humorista:
Tudo azul (e alvinegro)
Antes de qualquer coisa, parabéns ao Botafogo e, sobretudo, ao Joel Santana, o mais "hot foot" técnico do futebol carioca. Ser campeão de lavada, sem precisar de final, não é pra qualquer um. Eu já estava até achando estranho ter uma final sem aquele já conhecido penaltizinho maroto. Mas não é que ele pintou e o Jefferson pegou? A caixinha de surpresas do futebol ataca novamente. Dizem que a sorte do alvinegro começou a mudar quando Joel gritou da beira do campo: "Herrera, habla pra este mierda deste Lucho Flávio dejar de ser amalerón, puerra!"
Futebol envolve paixão. Pessoas sofrem, choram, riem, cantam, perdem a voz, brigam com a esposa, desfazem amizades... tudo por causa dele. Futebol é coisa séria e - por isso - é preciso estar atento e forte antes de fazer uma brincadeira, por mais inocente que seja, porque um simples pif paf pode se transformar numa guerra civil. Escrever sobre futebol é como dançar o rebolation num campo minado. Sendo assim, desde que aceitei o convite para escrever sobre o assunto, sabia que estava sujeito aos mais variados ataques de fúrias, principalmente via internet, onde a inclusão digital, somado ao crescimento assustador do politicamente correto, permite que qualquer animal se porte como um ser humano e despeje palavras de um calão tão baixo que envergonharia até o mais desaforado torcedor de arquibancada depois de ver um juiz não dar um pênalti claro aos 40 do segundo tempo de uma semifinal.
O que eu jamais poderia imaginar é que esses ataques tão rápido, já na primeira coluna. E, menos ainda, que viessem de torcedores do... Goytacaz! Oh, yeah! Futebol é definitivamente uma caixinha de surpresas!
Flashback: Semana passada eu disse que meu irmão era mais feliz que eu por torcer para um time que não existia mais, enquanto o meu estava aí, firme e forte, levando uma pancada atrás da outra. Pronto. Foi um tal de mensagens me acusando de desrespeitar a história da "quinta maior torcida do Rio". Devo, então, um sincero pedido de desculpas. Que fique tudo azul entre nós. O Goyta existe sim, está na segundona do Rio, lutando para voltar à elite. Só não sabia dessa história de "quinta maior torcida". Mas posso deduzir que, por eliminação, tem mais que seu rival Americano. Pronto, já preparei mais uma polêmica para ter assunto semana que vem.
Acho que não sou o único a ser pego de surpresa. Os mais novos talvez nem tenham ouvido falar do azulão de Campos. E acho que isso é um dos problemas do futebol carioca: a falta de força dos times do interior. Lembro que quem ia encarar o próprio Goytacaz em Campos penava e, se muito, saía com um 1 x 0 mixuruca, um empate, isso quando não era derrotado. Jogar contra a Portuguesa (e o vento) na Ilha do Governador ou contra o Olaria na Rua Bariri era quase um clássico, de tão difícil. E hoje?
Hoje os times do interior perderam o direito de sediar jogos nos seus acanhados estádios. Não há mais ida e volta, só jogos de ida e ida. Ficamos restritos a $palcos onde os grandes deitam, rolam e dificilmente não goleiam. Surpresas como o poderoso Flamengo derrotado pelo Serrano com gol de Anapolina... esquece! Aí vêm os argumentos de que os estádios não comportam as torcidas. Mas, na boa, entre jogar em Conselheiro Galvão com três mil pessoas ou num Engenhão vazio, faz diferença?
Hipocrisia reclamarem do Neymar ter posto a mão no primeiro gol do Santos. Achei que semana passada tinha ficado claro que isso agora vale.
As coisas estão esquisitas para os lado da Gávea. Dois títulos perdidos numa mesma semana e, pra culminar, o gênio Zico diz em entrevista ter sonhado com passe para um gol do Obina. Se esse foi o sonho, não quero nem imaginar como seria o pesadelo.
Alguém têm notícias da esposa do goleiro Bruno? Depois da derrota, ela continua viva?
Agora além do Twitter ( @bmazzeo ) podemos falar por este i-meio indicado na coluna (brunomazzeo@oglobo.com.br). Só peço que, por gentileza, não enviem currículos. Vamos focar no futebol. Té mais.
Fonte: Jornal O Globo
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